quarta-feira, 10 de junho de 2009

Português - Verbo, segundo Evanildo Bechara, Cegalla e Celso Cunha

VERBO


PESQUISA REALIZADA PELOS ACADÊMICOS DO TERCEIRO ANO DE LETRAS LICENCIATURA HABILITADA EM PORTUGUÊS E ESPANHOL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL – CÂMPUS DO PANTANAL, CUJOS NOMES SEGUEM ABAIXO:
CLEBER RENATO MARTINS FIGUEIREDO;
FRANKLIN CORTEZ FERNANDES TIMOTEO.
A SER APRESENTADA À DISCIPLINA DE LÍNGUA PORTUGUESA III, MINISTRADA PELA PROFª. MSC FABIANA PORTELA LIMA.

CORUMBÁ-MS; ABRIL/2009.
Sumário




Introdução ........................................................................................................................3
Conceito........................................................................................................................... 3
1-Estrutura do verbo ........................................................................................................5
2-Conjugação verbal ........................................................................................................6
3-Pessoas ..........................................................................................................................6
4-Tempos ..........................................................................................................................6
5-Modos ...........................................................................................................................7
6-Vozes ............................................................................................................................7
7-Aspectos........................................................................................................................ 7
8-Função........................................................................................................................... 8
9-Tempos Simples e Composto........................................................................................ 8
10-Números...................................................................................................................... 8
11- Formas rizotônicas e arrizotônicas............................................................................ 9
12-Flexão.......................................................................................................................... 9
13-Concordância verba......................................................................................................9
14-Regência verbal .........................................................................................................10
15-Transitividade verbal .................................................................................................10
Conclusão........................................................................................................................11
Bibliografia......................................................................................................................11

Introdução
Essa pesquisa tem por base a definição de verbo segundo os três gramáticos mais conceituados no meio das letras, Evanildo Bechara, Celso Cunha (1917-1989) e Domingos Paschoal Cegalla.
O verbo é uma das palavras mais importantes do nosso idioma. Conhecê-lo bem e empregá-lo adequadamente é uma das metas do ensino da língua portuguesa.

Conceito

“Verbo é uma palavra de forma variável que exprime o que se passa, isto é, um acontecimento representado no tempo”. Celso Cunha & Lindley Cintra

“Verbo é uma palavra que exprime ação, estado, fato ou fenômeno”.
Domingos Paschoal Cegalla
Para o Prof. Evanildo Bechara
"Entende-se por verbo a unidade de significado categorial que se caracteriza por ser um molde pelo qual organiza no falar seu significado lexical.”
Essa definição privilegia antes o critério funcional: o da organização do falar, como o elemento capaz de definir o que seja um verbo como "significado categorial", o que - para efeito de decodificação da hermética definição - poderíamos chamar, simplesmente, de "classe gramatical".
Segundo Roman Jakobson o verbo além de ser pensado como significado verbal o verbo se combina, entre outros, com instrumentos gramaticais (morfemas) de tempo, de modo, de pessoa, de número. Assim trabalhar e trabalho são palavras que tem o mesmo significado lexical, mas diferentes moldes, deferentes significados categoriais.
Em termos sintáticos, os verbos exercem uma função fundamental: núcleo da predicação nos predicados verbais. Isto é, o verbo é o constituinte essencial do predicado verbal. Além disso, os verbos também são fundamentais para a constituição das orações. Ao contrário do sujeito, que pode estar ausente na oração, sem verbo não há oração. Aliás, classificam-se as orações conforme o número de núcleos verbais existentes.
Exemplos:
É comum, no interior do país, surpreender crianças com doenças graves. [é: verbo = núcleo do predicado "é comum"]
[surpreender: verbo = núcleo do predicado "surpreender crianças..."]
Se você me esperar1, vou até lá2, procuro pelo endereço3 e trago-o aqui4. [número de orações: 4]
[número de núcleos verbais: 4]
Vou entrar por esta porta1 e quero encontrar tudo2 como eu havia deixado3. [número de orações: 3]
[número de núcleos verbais: 3]
O que há de claro e característico nos verbos - e que nos permite identificar os verbos sem grande dificuldade - são seus traços morfossintáticos. Um verbo é um lexema que varia em número, pessoa e tempo. Ou, para nos expressarmos em termos mais técnicos,
Verbo é a palavra que pertence a um lexema cujos membros se opõem quanto a número, pessoa e tempo.
(Chamamos lexema um conjunto de palavras que se distinguem através de flexão; assim, corro, correr, corríamos fazem parte de um lexema; casa, casas fazem parte de outro. Mas casa e casebre não fazem parte do mesmo lexema, porque se distinguem por derivação, e não por flexão.)
Em geral, as pessoas com algum treinamento gramatical não têm problemas em identificar os verbos. Ao considerarem uma palavra como respondessem, comparam-na com outros membros de seu lexema (seu paradigma) e verificam que estes se opõem quanto a pessoa: respondesse / respondessem / respondêssemos; quanto a tempo: respondessem / respondam/ respondem / responderão; e quanto a número: respondessem / respondesse. Nisso é que nos baseamos para reconhecer os verbos - não em suas propriedades de exprimir acontecimentos representados no tempo; nem, para citar outra definição comum, em suas propriedades de exprimir ações, estados ou fenômenos.
Em outras palavras, a noção corrente de "verbo" é formal, e não semântica. O conjunto das palavras que exprimem uma ação, por exemplo, não se chama em geral de "verbos": correr, corria, corrida, vingança, vingar, traiu, traição etc. Como se vê, todas essas palavras exprimem, de alguma forma, uma ação; mas nem todas são verbos.
A classe dos verbos é uma das poucas que podemos definir e estabelecer no momento com clareza. A definição dada acima se baseia nos traços morfológicos da palavra (variação em pessoa, tempo e número). Pode-se acrescentar que o verbo é a única palavra que pode desempenhar a - função sintática de núcleo do predicado.
Este último traço, entretanto' não pode ser incluído na definição de verbo, porque a noção de "núcleo do predicado" depende, ela própria, da identificação prévia dos verbos. Assim, vamos dar o primeiro passo na classificação das palavras do português da seguinte maneira:
(a) verbos são palavras que variam em pessoa, tempo e número; (b) somente os verbos podem desempenhar a função de NdP.
Em (a), temos a definição (informal) de verbo; em (b), uma informação extra sobre o comportamento gramatical dos verbos (informação essa que não faz mais que repetir a postulação de NdP).
Como se vê, no caso do verbo, a definição é simples; e a descrição do comportamento gramatical da palavra é igualmente simples. A maior parte das classes, entretanto, apresenta complexidade muito maior de comportamento. Por isso mesmo, geralmente é muito mais difícil identificá-las; a maioria das pessoas acha mais difícil distinguir um adjetivo de um substantivo, ou um advérbio de uma conjunção, do que um verbo de qualquer dessas classes.
Em (b), acima, temos uma expressão do potencial funcional dos verbos: eles podem ser núcleos do predicado e nada mais. Essa deveria ser a definição de verbo; mas o verbo, justamente por ser o ponto de partida de nossa análise da oração, acaba sendo tratado diferentemente de todas as outras classes.
O verbo é termo importante dentro do discurso. Pode-se mesmo dizer que existe oração sem sujeito ou complementos, mas oração sem predicado não existe.
Pela morfologia, verbo é a palavra cujo radical aceita o morfema 'NDO', formador de gerúndio. Pela sintaxe, verbo é o termo que funciona como núcleo no predicado verbal ou verbo nominal e como elemento de ligação no predicado nominal. Pela semântica, verbo pode exprimir ação, fenômeno, estado, mudança de estado e até qualidade numa perspectiva de tempo.
A perspectiva temporal é importante, pois existem palavras como tiroteio, inundação, etc., que expressam ação, e não são verbos; outras como chuva, trovão, etc., que expressão fenômenos e não são verbos; outras ainda que expressem estado como sono, desmaio, etc., e não são verbos; outras que indicam mudança de estado como casamento, viuvez, etc., e não são verbos; e ainda as que exprimem qualidade como feliz, azul, etc., e também não são verbos.
Verbos expressam uma dessas características - ação, fenômeno, estado, mudança de estado, qualidade - numa perspectiva temporal: presente, pretérito ou futuro.
O verbo é a única classe morfológica que, junto aos pronomes pessoais, consegue ser flexionada, formando um sintagma. Não podemos dizer: eu mesa, tu mesa; mas podemos dizer: eu canto, tu cantas. É a palavra que tem maior número de flexões em língua portuguesa, ou seja, é uma das palavras que mais variam e, em conseqüência, uma das palavras mais ricas do nosso idioma.
Para Domingos Paschoal Cegalla o verbo se flexiona em :
Número: singular ou plural
Pessoa gramatical: 1ª, 2ª ou 3ª;
Tempo: referência ao momento em que se fala (pretérito, presente ou futuro). O modo imperativo só tem um tempo, o presente;
Voz: ativa, passiva e reflexiva;
Modo: indicativo (certeza de um fato ou estado), subjuntivo (possibilidade ou desejo de realização de um fato ou incerteza do estado) e imperativo (expressa ordem, advertência ou pedido).
Já para Cunha&Lindley e Evanildo Bechara, além dessas categorias o verbo também se flexiona quanto ao:
· Aspecto: assinala a ação levada até o fim, isto é, como conclusa (perfeita) ou inclusa (imperfeita).
1-Estrutura do verbo
Uma forma verbal é constituída por radical, desinências, vogal temática.
Radical ou lexema: onde se concentra o significado do verbo. Repete-se em todas as formas, salvo nos verbos irregulares:
Cantei, cantaste, cantou
Desinências: indica o modo, o tempo, o número e a pessoa:
Falássemos
-sse-: desinência modo-temporal (subjuntivo-pretérito imperfeito)
-mos: desinência número-pessoal (1ª pessoa do plural)
Vogal temática: além de permitir a ligação do radical com as desinências, indica a que conjugação o verbo pertence:
Falaste – a – 1ª conjugação (verbo cantar);
Vendeste – e – 2ª conjugação (verbo dever);
Partiste – i – 3ª conjugação (verbo sentir).
2-Conjugação verbal Existe três conjugações verbais:
A primeira tem como vogal temática o 'a' - cantar, pular, etc. A Segunda tem como vogal temática o 'e' - vender, comer, etc. nesta conjugação, inclui-se o verbo pôr e seus derivados - repor, compor, etc., cuja vogal temática desapareceu na passagem do latim para o português, mas cujos resquícios ficaram em algumas formas e palavras derivadas.
A terceira tem como vogal temática o 'i' - partir, dividir, etc. Conjugar um verbo é dizê-lo em todas as suas formas, isto é, nas diversas pessoas, tempos, modos, vozes, de acordo com o modelo de sua conjugação.
3- Pessoas Há três pessoas abordadas em duas situações: singular e plural. Eu ,Tu , Ele = 1.ª,2.ª, 3.ª pessoa do singular Nós Vós Eles =1.ª,2.ª, 3.ª pessoa do singular 4- Tempos Tempos são as variações que indicam o momento em que se dá o fato expresso pelo verbo. Há três tempos: a) Presente = fato ocorrido no momento que se fala b) Pretérito = fato ocorrido antes c) Futuro = fato que ocorrerá depois O pretérito subdivide-se em: perfeito, imperfeito, mais que perfeito a) Perfeito = ação acabada - eu li o livro. b) Imperfeito = ação inacabada no momento a que se refere a narração - eu olhava o mar. c) Mais que perfeito = ação acabada, ocorrida antes de outro fato do passado - ela dividira a turma. O futuro subdivide-se em: futuro do presente e futuro do pretérito a) Futuro do presente = refere-se a um fato imediato e certo - comprarei ingressos. b) Futuro do pretérito = pode indicar condição, referindo-se a uma ação futura, vinculada a um momento já passado - eles gostariam de convidá-la para sair.

5- Modos
Modos são as diferentes formas que toma o verbo para indicar a atitude do falante em
relação ao fato. Há três modos: indicativo, subjuntivo e imperativo. a) Indicativo: apresenta o fato de uma maneira real, certa, positiva - eu estudo agora. b) Subjuntivo: pode exprimir um desejo e apresenta o fato como possível ou duvidoso - queria que me levasses ao teatro. c) Imperativo: exprime ordem, conselho ou súplica - limpa a cozinha, Maria. Além dos três modos citados, há as formas nominais ou verbóides, assim chamadas por que têm também a natureza de nomes. Não fazem parte de um modo em si e são três, a saber: 1. Infinitivo: lembra um substantivo ou verbo com sentido indefinido. Subdivide-se em impessoal e pessoal. a) Impessoal - não flexionado. Ex.: viver é bom. b) Pessoal - flexionado. Ex.: é útil pesquisarmos. 2. Gerúndio: funciona como um advérbio ou adjetivo. Ex.: água fervendo. 3. Particípio: funciona na formação de tempo compostos e como adjetivo. Ex.: tinham aplaudido o cantor.
6- Vozes
Vozes são a forma em que se apresenta o verbo para indicar a relação que há entre ele e seu sujeito. Há três tipos de vozes: ativa, passiva e reflexiva.
1. Ativa: a voz é ativa quando o sujeito é agente, isto é, produz a ação - o lobo ataca. 2. Passiva: a voz é passiva quando o sujeito é paciente, isto é, recebe a ação. Ela se
apresenta de duas formas:
a) Com verbo auxiliar + particípio - a dívida foi paga por Paulo. b) Com o pronome apassivador 'se' - alugam-se apartamentos. 3. Reflexiva: a voz é reflexiva quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, produz e recebe a ação verbal.
7- Aspecto Aspecto é a maneira de ser da ação. Se dissermos, por exemplo, 'eu passeio' e 'eu estou passeando', há diferença entre ambas quanto à duração.
a) O pretérito perfeito composto, embora indique um fato concluído, revela, de certa forma, a idéia de continuidade. Ex.: eu tenho estudado. b) Os verbos incoativos (terminados em 'ecer' ou 'escer', por exemplo), indicam uma continuidade gradual. Ex.: embranquecer é começar a ficar grisalho e envelhecer é ir
ficando velho. c) O presente do indicativo pode: . Indicar a freqüência. Ex.: o sol nasce para todos.
. Ser empregado no lugar do futuro. Ex.: amanhã vou ao teatro; se continuam as indiretas, perco a paciência. . Ser empregado no lugar do pretérito (presente histórico). Ex.: é 1939: alemães invadem território polonês. d) O pretérito imperfeito do indicativo pode: . Substituir o futuro do pretérito. Ex.: se eu soubesse, não dizia aquilo (diria). . Expressar cortesia ou timidez. Ex.: o senhor podia fazer o favor de me emprestar uma caneta? (pode). e) O futuro do presente pode: . Indicar uma probabilidade. Ex.: ele terá, no máximo, uns setenta quilos. . Substituir o imperativo. Ex.: não matarás (não mates).
8- Função Quanto à função, o verbo pode ser principal ou auxiliar. Principal é o verbo que, numa frase, conserva sua significação plena. Auxiliar é aquele que, combinando com formas nominais de um verbo principal, forma com esse uma locução verbal. Dessa forma, o verbo auxiliar perde o ser significado próprio. O verbo principal aparece numa forma nominal (particípio, infinitivo impessoal ou gerúndio), e o auxiliar é flexionado de acordo com as características do verbo principal. 9- Tempos simples e compostos Os tempos são simples quando formados apenas pelo verbo principal. São os seguintes: No indicativo - presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais que perfeito, futuro do presente, futuro do pretérito. No subjuntivo - presente, pretérito imperfeito, futuro. No imperativo – afirmativo, negativo. Nas formas nominais - infinitivo pessoal e impessoal, gerúndio, particípio. Os tempos são compostos quando formados pelos auxiliares TER ou HAVER mais os verbos principais. São os seguintes: No indicativo - pretérito perfeito composto, pretérito mais que perfeito composto, futuro do pretérito composto. No subjuntivo - pretérito perfeito composto, pretérito mais que perfeito composto, futuro composto. No infinitivo - pretérito impessoal composto, pretérito pessoal composto, gerúndio pretérito composto.
10- Número Quanto ao número de pessoas em que os verbos são empregados, eles classificam-se em: a) Unipessoais Empregam-se só na terceira pessoa, e são: Os verbos que se regeram a vozes de animais. Exemplo: O sapo coaxa na água parada. Os verbos que indicam necessidade, conveniência, sensação, costume Os verbos concernir, acontecer, grassar, assentar, constar, conforme os exemplos. b) Impessoais São os verbos que não possuem sujeito e, por isso, são conjugados só na terceira pessoa do singular. Os verbos impessoais são os seguintes: Exprimem fenômenos da natureza, como: alvorecer, amanhecer, anoitecer, chover, orvalhar, nevar, relampejar, trovejar, ventar, etc. Estar, quando indica situação de tempo. Ser, quando indica tempo. Certos verbos que indicam necessidade, conveniência ou sensação, quando regidos de preposição, em frases do tipo: Basta de provocações! c) Pessoais São aqueles verbos conjugados nas diversas pessoas. Exemplos: Eu me comunico. Tu danças. Ele viaja.
11- Formas rizotônicas e arrizotônicas A forma é rizotônica quando a vogal da sílaba tônica recai no radical. Exemplos: Canto - dormes - comes. A forma é arrizotônica quando a vogal da sílaba tônica recai fora do radical. Exemplos: Cantamos - comeste - dormirão.
12- Flexão Quanto a flexão, os verbos podem ser: regulares, irregulares, anômalos, defectivos e abundantes. a) Regulares Regulares são os verbos que se conjugam de acordo com o paradigma de cada conjugação. Assim, se tomarmos, como exemplo, os verbos cantar, vender e partir, todos os que se conjugarem de acordo com esses verbos serão regulares. b) Irregulares Irregulares são os verbos que se afastam do modelo de sua conjugação, como: ansiar, dar, incendiar, valer, caber, trazer, pedir, vestir, ouvir, etc. c) Anômalos São os verbos que, por apresentarem profundas irregularidades, foram assim classificados pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, sendo eles: estar, haver, ir, pôr, ser, ter e vir. A anomalia desses verbos é demonstrada inclusive pela total mudança da raiz, como nos casos dos verbos ir e ser. d) Defectivos Alguns verbos não são conjugados em todas as pessoas, tempos ou modos e, por apresentarem tais deficiências, são denominados defectivos. e) Abundantes Abundantes são os verbos que possuem dois particípios, um regular e outro irregular. Exemplos: aceitar, acender, completar, benzer, expulsar, exprimir, etc. Geralmente se usa, com o particípio regular, os verbos ter e haver e, com o particípio irregular, os verbos ser e estar. Exemplos: Maria tinha enxugado a louça. A travessa de prata já está enxuta. O diretor havia expulsado o funcionário. O aluno foi expulso
13-Concordância verbal é a concordância em número e pessoa do verbo (termo subordinado) com sujeito (termo subordinante) da oração. A concordância permite que não se repita o sujeito dentro de um mesmo período ou em períodos seguintes, pois ele fica claramente definido pela flexão verbal. Ex.: Eu peguei o guarda-chuva, pois pensei que fosse chover.
· Com um só sujeito: o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito, venha ele claro e subentendido. Ex: Vieste de um país que não conheço.
· Com mais de um sujeito: o verbo que tem mais de um sujeito vai para o plural e, quanto à pessoa, irá:
a) Para a 1.ª pessoa do plural, se entre osa sujeitos figurar um da 1.ª pessoa;
b) Para a 2.ª pessoa do plural, se, não existindo sujeito da 1.ª pessoa, houver um da 2.ª.
c) Para a 3.ª pessoa do plural, se os sujeitos forem da 3.ªpessoa.
14-Regência verbal é a ligação do verbo com os seus complementos.
a) Diretamente, sem uma preposição intermédia, quando o complemento é o objeto direto;
b) Indiretamente, mediante o emprego de uma preposição, quando o complemento é o objeto indireto.


Transitividade Verbal: É a presença ou ausência de complementos que necessitam os verbos nocionais e verbos não-nocionais.
Segundo BECHARA (1999), a transitividade sustenta-se no conteúdo léxico do verbo, podendo formar predicado simples (cujo núcleo apresenta significado lexical referente a realidades bem concretas; a tradição gramatical chama intransitivos a tais verbos) ou predicados complexos (cujo núcleo constrói-se por verbo de grande extensão semântica, necessitando, portanto, de delimitadores - os argumentos ou complementos verbais - são os verbos transitivos). Reforça que a distinção entre transitivo e intransitivo não é absoluta, pertencendo mais ao léxico do que à gramática, e refere-se aos verbos de ligação como aqueles que aparecem matizados semanticamente pelo signo léxico que funciona como predicativo. Porém a distinção não é válida no que se refere à sintaxe, uma vez que o núcleo da oração é sempre o verbo, mesmo que se trate de verbo de significado léxico muito amplo e vago, não sendo relevante a classificação do predicado para o entorno oracional.
Bechara segue a argumentação teórica que aborda a transitividade sob aspecto semântico, tratando-a como necessidade ou não de complementação significativa. Assim, os verbos podem ser nocionais (empregam-se com função predicativa) ou relacionais (vêm combinados com adjetivo para constituir o predicado ou com forma finita de verbo nocional). Os primeiros podem ser transitivos ou intransitivos.
* Verbos Nocionais – Aqueles verbos que exprimem processos, indicam ação,
acontecimento, fenômeno natural, desejo, atividade mental. Exs.: Lutar, desejar, fazer,
pretender, ocorrer, pensar, suceder, raciocinar ,nascer, considerar, trovejar, julga, querer.
* Verbos Não-Nocionais – Aqueles que exprimem estado; são mais conhecidos como
verbos de ligação. Estes verbos fazem do predicado, mas não atuam como núcleo. São
Exs.: ser, estar, andar, virar, permanecer, ficar, achar-se, passar, continuar, acabar,
tornar-se, persistir.
É possível distinguir, perceber se um verbo é nocional ou não quando se considera o
contexto em que é empregado.
Dessa relação de presença ou ausência de complementos dá-se a seguinte classificação:
Intransitivo: Um verbo que não é acompanhado de complemento. Ou como diz Cunha & Lindley, “expressam uma idéia completa”. Como Ex.:
Criança sofre – não há complemento, pois o processo começa e termina no próprio sujeito.
Daí se afirmar que não há transitividade, necessidade da passagem do sujeito para um
elemento que funcione como alvo ou objeto.
Transitivo: Ocorre quando um verbo é acompanhado de complemento. Pode-se
usar como Ex.: Os ombros suportam o mundo. – Note-se que o ato de suportar tem um
alvo, um objeto. Este processo de necessitar de um complemento é o
processo de transitividade, ou seja, transita, passa.
Transitivo direto: Quando o complemento do verbo não é introduzido por
preposição obrigatória, é denominado transitivo direto. Como Ex.: Levaram os livros.
Verbo transitivo direto: levar algo.
A melhor maneira de identificarmos o VTD será passando-o para a voz passiva analítica (VL + PART.). Se esse procedimento for possível, estaremos diante de um VTD. (Há poucos verbos que, embora de predicações diferentes, aceitam voz passiva. Podemos mencionar: perdoar, pagar, responder, obedecer, desobedecer, aludir).
Ex.: Amo a Deus.
Embora seja preposicionado (“a Deus”), trata-se de objeto direto, já que o verbo é transitivo direto. Para esta última constatação, basta que façamos a conversão para a voz passiva: Deus é amado por mim.
Com isso, constata-se que se trata de VTD.
Transitivo indireto: Quando o complemento do verbo é introduzido por
preposição obrigatória, é denominado transitivo indireto. Pode-se utilizar a seguinte
oração como Ex.: Duvida –se de verdades indiscutíveis. – duvidar de algo.
Verbo prep.
Transitivo direto e indireto: Há verbos acompanhados dos dois
complementos. Um deles introduzido por preposição obrigatória e outro, não. Pode-se
utilizar como Ex.: Enviei o convite a todos. – enviar algo a alguém.

Conclusão

Os verbos são palavras fundamentais na comunicação oral e escrita; por isso cabe a nós buscar conhecimento, entendimento e sempre recordá-los. Evanildo Bechara em sua gramática ao definir verbo utiliza uma linguagem bastante teórica, implícita ao olhar de uma pessoa sem base teórica na língua portuguesa. Celso Cunha e Lindley Cintra, em sua gramática expressam conhecimentos em forma culta, mas de fácil compreensão. Já Domingos Cegalla apresenta uma linguagem bem mais sintetizada dos demais gramáticos.
Bibliografia:
CUNHA, Celso & CINTRA, Luis F. Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 5.ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2008.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 48.ed.rev. – São Paulo: Companhia Editorial Nacional, 2008.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática da Língua Portuguesa. 37.ed.rev.e ampl.16ª, Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.
ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.

4 comentários:

  1. Eu me chamo Fátima e sou professora de Língua Portuguesa.
    Maravilhosa essa pesquisa, muito atual e me auxiliou bem.
    Abraços.
    Fátima

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  2. Professor sua pesquisa é, por demais, esclarerecedora. Obrigado.

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